domingo, 28 de agosto de 2011
A vezes o homem mais pobre deixa a seus filhos a herança mais rica
“Em uma família típica, o pai torna-se responsável pela educação e criação de seus rebentos e o sustento da família. Esta responsabilidade provém do século XIX, onde assumia inteiramente o poder econômico, à posição pública do homem e à posição de autoridade masculina, sendo visto como o chamado "pai-professor-patrão". No século XX, já o cenário familiar se alterara, dando espaço para as mães assumirem parte do controle financeiro, baseado em um modelo capitalista, individualista.”
Bom, esta é uma introdução um pouco estranha né?...rsrs... Mas com o decorrer fará sentido.
Eu cresci sem a presença do meu pai biológico, nunca tive contato com ele, bem, na verdade falei com ele duas vezes quando era criança. Mas como não entendi porque ele não estava perto ou porque não vinha me ver como todo pai que ama o filho penso que na verdade meu problema era porque ele não me amava. Passei minha infância e adolescência odiando ele. Em 2009 ele faleceu de uma forma bem trágica (homicídio), confesso que na hora senti uma raiva tão grande porque eu não tive a chance de falar para ele tudo que sentia e pensava, graças a Deus não tive essa oportunidade! Eu lembro que na noite que soube da morte dele fui deitar e fiquei pensando “bem feito, tomara que vá pro inferno “ ...”maldito morreu sem escutar tudo que tinha pra falar”...e outras coisas mais que hoje me arrependo muito. Deus me perdoe e ele também por tais pensamentos.
Hoje tenho pensamentos diferentes sobre ele, agradeço-o por me dar a oportunidade de achar alguém que realmente iria me amar com uma filha, ele resolveu abrir mão de ser meu pai, não ficou na minha vida porque sabia que não seria um bom pai (prefiro pensar assim). Ele quando decidiu não fazer parte da minha vida e da minha irmã e viver a vida dele do jeito que queria deu a maior prova de amor (de certa forma), quantos pais ficam na vida dos filhos e passa a culpá-los por perder estar perdendo sua vida ou porque não esta sendo como eles gostariam.
Deus foi muito bom comigo também, me deu uma mãe que é uma verdadeira guerreira e um avô (materno) e tios (maternos) muito bons me ensinaram direitinho, tudo o que meu pai biológico não pode dar eles deram. Tive muitos pais nesses 24 anos da minha vida, pais que me ensinaram a ser uma pessoa boa ou pelo menos tentar ser, mas meu pai biológico também me ensinou, acho que ele foi um dos que mais me ensinou na vida. Ensinou-me que tipo de pessoa eu quero ser, que pessoa eu não quero me relacionar, como deve ser o pai dos meus filhos, que existe pessoas boas e ruins, que as vezes a vida não é como sonhamos ou queremos.
E a maior das lições é que quando uma pessoa nos abandona não quer dizer necessariamente que ela não nos ama.
Obrigada Carlos por me dar a oportunidade de conhecer meu pai avô Joaquim, espero que um dia possa nos conhecer melhor.
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Oi fiquei comovida com este post. Vc sempre teve pai....varios pais que fizeram com certeza melhor papel de pai na sua vida do que o seu pai biologico talvez fizesse. E que bom que vc ja consegue enxergar isso e não sofre mais pela a ausencia dele.Vivi a minha adolescencia numa duvida cruel que fingia nao existir...para não sofrer. E em 2004 meu pai morreu e qse pirei com esta duvida ...que resolveu me torturar...Hoje quero se se foda se ele era mesmo meu pai ou não...sei que sendo ou nao, ele fez o melhor que pode...nao foi la estas coisa...mas foi o melhor que pode rsrsr....bjo!!!só to conseguindo postar como anonimo....Norma!
ResponderExcluirOi Norma...obrigado pelo comentário...eu penso que pai não necessariamente é o que coloca no mundo mais sim aquele que dedica a vida a ensinar o certo e o errado ao filho...se seu pai era ou não o biológico isso não era o importante...o que realmente e considerável e o fato dele estar do seu lado...pq isso que fez e faz toda a diferença...não é mesmo...fico feliz por vc não ligar mais pra saber se ele era ou não seu pai...pq ele pode não ter sido de sangue ...mas era de coração...bjusss...
ResponderExcluirPost forte Amanda!!
ResponderExcluirExistem formas e formas de sermos amados...hoje a vida também me ensinou isto!!!
Em 2003 meu marido resolveu "ser feliz" e saiu de casa,pulando a dor que isto me causou e aos meus filhos", hoje ele é um pai, presente,continua provedor e do fundo da minha alma,acredito que nos ama mais do que quando decidiu partir. O famoso tempo, nos faz vermos coisas que na hora dos acontecimentos, não conseguimos ver.Acredito que o fato de ama-lo muito,fez com que desde o primeiro minuto desse vendaval, que passou em nossas vidas, eu optei pelo caminho do amor e não do ódio, é uma opção tremendadente dolorosa, mas que no nosso caso foi a mais coreta.
Fico feliz que hoje voce tenha uma visão melhor dos acontecimentos, pq isso acalma a alma e permite ver as precariedades dos outros.
Bjs
Então este post é mais desabafo, acredito que só superei o ódio que sentia depois que percebi que isso não me levaria a lugar nenhum e não iria mudar nada. O ódio só atrasa nossas vidas. Aprendi que não é necessário ficar sempre ao lado de uma pessoa para provar que a ama, muitas vezes para continuar amando é preciso nos afastar. Quantas pessoas vivem juntas e é um inferno, quantos pais ficam com os filhos e passam a vida espancando e judiando. Ultimamente penso que ficar é nobre, mas partir também é, não só nobre como corajoso.
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